30.7.04
"- esses caras são perigosos - completamente loucos e agressivos -, principalmente os que estão sempre escrevendo sobre AMOR, SEXO ou um MUNDO MELHOR. nossa, credo."
(Charles Bukowski)
Postado por Pérola do Amaral
29.7.04
"Foda-se esse rei-ego absoluto. Foda-se a sua dor pessoal, esse seu ovo mesquinho e fechado."
(Caio Fernando Abreu)
aqui tem macarrão, arroz e feijão. tudo o que tem num vômito de bêbado.
ela apostaria num amor que não existia. que não jogasse na cara, mas enquanto isso mastigava até ficar fatigada, e como doía mastigar aquele coração de borracha. aquela cara dura. ela chorava. que superioridade sentia, que pena de si depois. que vontade de quebrar os espelhos e os vidros dos carros na rua. vontade de fazer uma loucura, qualquer loucura que fosse loucura suficiente pra fazer merda ou pra dar muito certo e ela esquecer daquilo que afligia. de repente, aprendeu a usar a dor. e escrevia. então jurou que nunca mais seria feliz, que felicidade ela não queria.
Postado por Pérola do Amaral
27.7.04
Escrever é engolir um prato quente. Eu precisava dizer isso, que escrever queima no início e de cara você acaba gostando do próprio texto. Depois questiona, pára de babar nele. Por último, rabisca e refaz. Aí relê, e geralmente detesta. Mas não apaga, porque ficam as bolhas na garganta.
Às vezes eu olhava pra ele e ele era quinem
um ralo
Lambia o que eu chorava, assustando minhas saias
nos bueiros da rua
Depois entupia, ficava injuriado, e não lambia
mais, nem que eu dissesse que era a derradeira
Ele devolvia
Aí eu pegava o desentupidor e sufocava ele!
Ele cuspia todas as minhas dores, me deixava imunda
Depois engolia novos prantos
e começava tudo de novo
Até que um dia eu troquei o ralo por outro
um abajur
Uma pena ele ter desentupido
porque até que eu gostava daquela resistência
daquele charco.
Postado por Pérola do Amaral
25.7.04
"Ai, a necessidade que tinha de doer em alguém"
(Caio, em O coração de Alzira)
Um dia eu ouvi que ele era cria da minha costela. Noutro eu descobri alguns gostos, apresentei outros. Quando se tem olhos quinem os dele se vê longe, e se percebe muito além do rosto e do corpo da gente. Quando se sabe de onde vêm as palavras se diz tudo, ele disse uma vez que eu era inconstante e maluca. Oh, grande descoberta, pensei. Eu disse que ele era normal até demais, só que ele me invadiu com os olhos e me agarrou com as palavras. Eu fiquei boquiaberta, engolindo involuntária todas aquelas rosas com espinhos. Depois a gente sentou e cortou os espinhos, rosa por rosa. Foi bom, porque hoje eu sei quem é a minha costela, e o que pode sair dela.
Postado por Pérola do Amaral
24.7.04
I
Enquanto leio meus seios estão a descoberto. É difícil concentrar-me ao ver seus bicos. Então rabisco as folhas deste álbum. Poética quebrada pelo meio.
II
Enquanto leio meus textos se fazem descobertos. É difícil escondê-los no meio dessas letras. Então me nutro das tetas dos poetas pensados no meu seio.
(Ana Cristina Cesar)
Postado por Pérola do Amaral
23.7.04
"Felicidade por nascer,
Mágoa a acabar,
Ânsia de só aquilo ser
Que há de ficar"
(Fernando Pessoa)
Postado por Pérola do Amaral
21.7.04
Finalmente - CAZUZA! Morrer não dói é a frase final do filme, e, pra quem gosta de Caio:
"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê."
(Caio Fernando Abreu)
Eu não tive o que dizer quando cheguei em casa e vi um pacote em cima da cama. ERA UM LIVRO - ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA? - o único (do Caio) que eu ainda não li. Eu não tenho palavras pra ele.
Para fechar o post:
"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia"
(Cazuza)
Luiz,
Você é especial pra c*r*lho!
Postado por Pérola do Amaral
"- Eu odeio pessoas, você não?
- Não, só quando elas estão perto de mim..."
(Charles Bukowski)
Ela me mostrou esse trecho um dia.
Postado por Pérola do Amaral
20.7.04
"sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver"
(Caio Fernando Abreu)
Postado por Pérola do Amaral
19.7.04
A dona da minha cabeça
é uma borboleta vaidosa:
adeja elegantemente,
deslizando e roubando
todos os beijos, a desvairada.
Às vezes é romântica,
noutras senta no bar.
Quando escurece é devassa,
e em brasa queima
(doces prantos)
as pobrezinhas ingênuas.
A dona da minha cabeça
diz que quando se é branca
e as outras fêmeas são pretas,
as inimigas não faltam.
Postado por Pérola do Amaral
18.7.04
"As pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar do aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas." Patrick Süskind
Postado por Pérola do Amaral
17.7.04
There's a starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children boogie
*David Bowie
Olhem o que a Marcela fez pra mim!
(tem presente melhor para um domingo?)
Postado por Pérola do Amaral
16.7.04
"Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria acreditar. Até a noite súbita em que não conseguiu mais."
(Caio Fernando Abreu)
Postado por Pérola do Amaral
15.7.04
"Exceto pelo seu inquietante aspecto físico, ela em nada se distinguia; era uma jovem comum, semelhante às demais, uma jovem que copiava poesias em cadernos de papel cor-de-rosa e colecionava miniaturas de porcelana. Sua languidez não era elegância, mas pureza, e sua melancolia não era mistério, mas vazio."
(Isabel Allende, em Retrato em Sépia)
Postado por Pérola do Amaral
13.7.04
Começou pequena, mal sabia soletrar.
Alimentava-se de livros - comia-lhes as páginas
e guardava as capas em estantes de jacarandá.
Quando completou dezoito anos tinha um sorriso morto
e um olhar ávido como o de um peixe.
Presa na torre desde pequena,
só conhecia o mundo por livros
(e esperançosa nunca mais cortou os cabelos
[ depois que leu Rapunzel).
Sonhava com príncipes e sapos,
babava com a casa de doces de Maria e João
(nunca experimentara uma trufa).
Mas o maior desejo ainda era o de sair dali.
Então quebrou com suas próprias mãos e móveis
os tijolos da torre,
e fez das roupas uma trouxa com suas jóias.
Só que, depois de tantos contos de fadas,
achava que podia voar.
E para a sua surpresa não flutuou no ar.
Postado por Pérola do Amaral
Minha árvore genealógica é um tanto peculiar. Meu avô era um pigmeu, e minha avó uma fada poderosíssima. Foi dessa mistura que nasceram meus pais, tortos e pequenos. Era uma questão de tempo para eu me acostumar, mas sinto que não posso mais suportar. Aqui no bosque todos ainda me olham feio, e estranham minha estatura de anã sustentando asas compridas de fada. Está tudo pronto para amanhã. Eu vou esperar o sol nascer e transformar todos em arlequim.
Postado por Pérola do Amaral
12.7.04
Olhe pra mim: eu sou ruiva. Sabe o que significa uma mulher ruiva? Perigo. Eu sou perigosa e é só um conselho pra não se apaixonar. Já viu meu decote? É pra desconcentrar mesmo, coloquei de propósito porque eu sabia que me convidaria pra esse bar fétido de tão chique e que haveria essas duas taças ridículas na mesa, a minha, completando com o cabo o vão entre os seios. Você, olhando minhas mãos, acabaria por esbarrar no cabo; terminando no decote, afogado nos seios.
Olhe pra mim: eu sou tão frágil que planejei tudo com medo de errar. Mas nós, assassinas, só devemos ter medo de gola rolê.
Postado por Pérola do Amaral
11.7.04
Quero que isso aqui seja quinem mãe: só mude o endereço.
"Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno. Os dragões não cabem nesses pequenos mundos de paredes invioláveis para o que não é visível."
(Caio Fernando Abreu)
Foi então que eu fiz uma descoberta e tanto: que eu quero ser apenas um dragão, nada de fada, bruxa, unicórnio, salamandra, harpia, elfo, hamadríade, sereia ou ogro.
Postado por Pérola do Amaral