fotografia (filme): Coração Selvagem, David Lynch.
28.9.05

* primeiramente, eu peço desculpas aos meus leitores pela demora de textos. o resto é obrigada.

eu sou motorista de ônibus, mas nunca paro pra pegar passageiro porque passageiro é problema.
outro dia, vejam só, entrou um homem. bonito, bem vestido até. chupando bala. dois minutos depois, eu quase atropelei uma dona. uma loira se jogou na frente do carro atordoada, sacudia o rosto de um lado pro outro, espantado os cabelos. o homem fez que não e escondeu a cara rapidinho.
- desce, AGORA!
mas ele não obedeceu. ela fez cara de bandido com sangue circulando nas veias, olhos esbugalhados e sobrancelhas abertas.
- ô motorista, não anda que eu tô subindo!
e espancou cada degrau com os pés. ela vestia uma saia e um sutiã de rendas. aquilo me agradou e por isso eu não andei com o carro, apesar de que aquela mulher não parecia ter amor à vida para sair da frente caso eu acelerasse. então ela ficou lá em cima, depois da roleta, com um maço de cigarros na mão e um isqueiro na outra. acendeu um cigarro, tragou e soprou bem na cara do homem. ele não pareceu confortável. ela tinha os olhos vermelhos quinem as unhas e não usava maquiagem. era uma mulher fodedora, eu pensei. a trocadora ria, acho que as mulheres são todas cúmplices umas das outras, não sei por que brigam tanto entre si. os outros passageiros estavam bufando e olhando para mim, mas enquanto houvesse uma mulher fodedora de sutiã de rendas em cima do meu ônibus eu não tinha motivos para andar.
- volta pra casa.
- vai pra casa pôr uma roupa. você está ridícula.
- pôr uma roupa é o caraleo! me explica por que você me largou.
(não explica, eu pensei)
mas ele não estava realmente disposto a explicar nada, já tinha outra mulher em alguma outra cama em qualquer outro lugar.
- não. é melhor assim. agora desce.
- foda-se! seu babaca! eu odeio tudo em você!
então ela me puxou.
- vem cá. olha, seu imbecil! qualquer homem é melhor do que você!
senti seu bafo ruim. ela me deu dois tapinhas, um em cada lado da cara. eu pensei em esbofeteá-la, mas então ela enfiou a língua áspera e morna dentro da minha boca e eu lembrei que ela trazia metade dos peitos pra fora e gostei.
o homem não demonstrou surpresa e puxou a minha mulher pelo braço até descerem, cambaleando, do carro.
eu fiquei buzinando, queria minha mulher de sutiã no meu ônibus de volta, eu a amava, mas ela havia passado dos limites. para ele, porque tinha me beijado e, para mim, porque não mostrou os peitos inteiros.
e comecei a andar.

Postado por Pérola do Amaral

3.9.05

"Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva. Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado, acendes o abajur do canto da sala depois de apagar a luz mais forte. E finalmente começas a falar."

(Caio Fernando Abreu)

ele chega, dança com ela e vai embora.

ela fica olhando para os sapatos.
ela fica odiando os sapatos.
ela pensa que não deve chorar por isso.
ela ajeita o cabelo.
ela quer, sim, chorar por isso.
ela ajeita o cabelo,
ela sabe o que quer.

oi.
faz tanto tempo, o que dizer que não pareça vazio?
nada não parece vazio
e tudo é ainda mais vazio - tempo
separador de semelhanças
as pessoas se perdem
até os irmãos se perdem
é, nosso espelho mudou
a gente escuta diferente,
eu não queria não dizer nada, eu juro que eu não fiquei vazia, assim,
de repente
tempo, falso senhor dos remédios
eu não quero mais estar aqui
eu estou aqui por um querer do passado
eu não quero estar aqui agora, eu quero sumir, fugir
a gente deixou a nossa magia escapar entre os dedos
chegar em casa, pés no sofá
a gente deixou tudo, tudo
o que tínhamos para estar aqui escapar entre os dedos
eu quero as paredes
sua boca, falta de companhia
eu disse que eu quero as paredes
me desculpa, eu não sei mais sentir.

o que ela quer é muito antigo. e o querer e o poder são separados por presente, futuro e passado.

Postado por Pérola do Amaral

2.9.05

é mãe, e por isso dela tira. dela tira até mesmo o novo; o impossível, ela pare de novo.

Postado por Pérola do Amaral





~ textos;
rascunhos;
pensamentos;
pensadores;
escritores;
pedaços de peças
[minhas e de outros autores;
etc


Pérola Simões Dorta do Amaral
~ e-mail-me, ou add-me:


ORKUT

~ Para visitar:
[peço desculpas
por não estarem,
os destinos,
atualizados]

Caio Fernando Abreu

fotolog do Renato Lima (Mosh!)

Pedro Victor, fotografias

elis!

literatura jovem deficitária

você não sabe me deter. e eu não consigo parar.

terra do nunca express

espaço em branco

syphilis & greed

... do amor, apocalípticos e integrados

À procura de coisas belas

O que vem de dentro

Diários do Mundo

Seminovos e Usados

Arlindo

blogisteria

amer chocolat

Tudo às Claras

Sapos e Halls Amarela

estudio e realidade: Po(e)mas Só-lidos Ao Vento

Canis Familiares

Elogio à Antipatia

Homer Brain

breve-brevíssimo ou aquele morre-não-morre

Candeia de Vento

Delírios da Mari

FACA de FOGO



palavrões...!

Taxitramas

plistoceno

João

Pentimento

O mundo complicado

diário de uma fada

Edu

pensar é um ato

.::.Glory Box.::.

Ler roll, Baby, Let it roll...

A Casa De Papel

Casebre de Prata da Marcela

Sofia

Doce Fel

No fim do arco íris